Dominant Species só é feio para quem não tem interesse em lidar com grande quantidade de informação, sinceramente. Eu acho muito bonitas as pecinhas dispostas no tabuleiro, os tiles, até mesmo o setor de worker placement quando estão cheio. Esse tipo de coisa para mim é muito mais bonito, como tabuleiro, do que essas artes super bem trabalhadas de jogos como Everdell e Arkham Horror. Porque com elas é produzido o belo com partes constituintes do que é um jogo de tabuleiro (peças que só fazem sentido no contexto do jogo), e não com algo acessório (arte que poderia ser exposta numa galeria independente de sua função no jogo).
Limitar beleza em jogos à arte empregada neles me parece simplório demais e empobrece a discussão. Há outras coisas que levo em consideração, como os componentes escolhidos para representarem os elementos temáticos do jogo - e quanto menos óbvios, mais eu gosto -, também sua disposição e como eles se comunicam uns com os outros. The Climbers, Tokyo Highway e YINSH são jogos sem arte alguma. Eu não sou capaz de caracterizá-los como jogos feios. Alguém é?



Indo além, há alguns exemplos de alguns jogos que outras pessoas acham horríveis, e eu acho lindos. Por exemplo Terra Mystica, em que a abundância de cores no tabuleiro ao final da partida me chama muita atenção, especialmente levando em consideração a dificuldade das jogadas necessárias para fazer com que aquelas peças entrassem em jogo - o que, inclusive, pela necessidade de terraformação, faz com que, durante a partida, seções do tabuleiro tornem-se cromaticamente homogêneas e até harmônicas por conta dos tiles que precisam ser colocados embaixo das construções. Fica muito bonito. E quando você conhece a regra do jogo e vê um Chaos Mage, por exemplo, com quatro cidades, não tem como não achar lindo. É por essas e outras que acho muito simplório analisar a beleza de um jogo tomando em consideração somente os aspectos visuais, esquecendo que trata-se de um jogo. Tem o visual, tem o lúdico, dependendo do jogo tem até o narrativo e a beleza advém da soma de todos estes fatores.

Por fim, mais um exemplo (acredito que este inconteste, porque algumas pessoas gostam da estética de Terra Mystica): os jogos 18XX. Eu acho-os lindos, especialmente os maiores, com tiles pequenos e muitas empresas em jogo. Gosto muito de ver a mesa cheia e, nestes títulos maiores como o 18OE: On the Rails of the Orient Express abaixo, cada pequena parte do tabuleiro que você para para analisar é um microcosmo de competição ferrenha por espaço entre os jogadores/empresas. Só de ver isso eu já me delicio imaginando as possibilidades, planos dos jogadores, para onde cada um vai e o tabuleiro se enchendo e ficando cada vez mais bonito:
