Olá, pessoal, hoje darei início a minha primeira publicação escrita do canal. Penso que esse modelo será ideal para uma resenha mais detalhada e, até mesmo, será uma ferramenta adicional para essa nova empreitada no mundo dos jogos de mesa que pretendo apresentar.
Desde meados/final do ano de 2025 venho estudando maneiras de retornar a um antigo hobby, o RPG, porém a primeira grande questão posta era: “Será que conseguirei reunir um grupo ávido para esses eventos periódicos?”.
A dificuldade em questão é sempre aquela: Reunir um grupo engajado e que compre a ideia. O que não é fácil! Ainda mais com a concorrência dos jogos de tabuleiro, tão amados por todos.
Essa constatação me levou a outro problema, nunca assumi o papel de “Mestre” e o grupo atual possui pouquíssima ou nenhuma experiencia com os TTRPG (RPG de mesa) e isso, certamente, mostrou-se um grande dilema em dar ou não continuidade a essa aventura.
Meu primeiro passo, lá para meados de 2025, foi adquirir um sistema e, à época, surgiu um Financiamento Coletivo que me chamou a atenção, não por mecânicas elaboradas ou inovadoras, mas sim por abordar uma temática que tanto aprecio, que são os Animes e Mangás Japoneses. Foi nesse momento que o Fabula Ultima me cativou.
Com o lançamento do Fabula Ultima pensei: “Nossa! Esse jogo tem uma temática boa, quem sabe não consigo colocá-lo em uma sessão de jogos”. Ok!!! Doce ilusão!! Não digo que nunca haverá espaço para experimentações, porém, conforme já abordei, os Jogos de Tabuleiro acabam tendo precedência no meu grupo, o que nos leva ao segundo problema já elencado, “Eu nunca mestrei. No fim, quem vai mestrar isso?”.
Passada a euforia inicial da aquisição do jogo e iniciado o período de produção do Financiamento Coletivo, as minhas expectativas e questionamentos iniciais caíram no esquecimento do tempo até que... O Fabula Ultima chegou à minha porta.
Aqueles pequenos livros e os arquivos digitais passaram então a me visitar em pensamento, quase que diariamente, até que, no início de janeiro de 2026, tomei uma decisão de, ao menos, aprender as regras do jogo e, não é que em minhas pesquisas me deparei com algumas pessoas jogando TTRPG solo.
Embora faça parte de um ávido grupo de Board Games na cidade, tenho grande apreciação por partidas solo. É um momento meu com o jogo, no qual posso aproveitar no meu tempo aquela produção, assim como apreciar a profundidade e estratégia existente nos jogos e suas integrações mecânicas e temáticas.
A possibilidade de jogar TTRPG solo mudou completamente minha perspectiva quanto as questões que estavam limitando meu avanço no mundo do RPG de mesa. A existência ou não de mesa e grupo disposto a essa experiencia já não seria um empecilho, enquanto a inexistência de mestre experiente seria suprida por mim, ou seja, eu poderia, jogando solo, ganhar experiencia nas dinâmicas que envolvem o mestre em jogos de RPG, além de mostrar-se uma ótima oportunidade para aprofundar no sistema do Fabula Ultima.
Ao me deparar com a existência de métodos e mecânicas para simular o mestre e as decisões ao longo de uma partida solo, passei então a me aprofundar no tema, procurar conteúdos sobre essas mecânicas e como poderia incorporá-la ao Fabula Ultima – o sistema não possui um modo solo nativo.
Nessas pesquisas me deparei com jogos que já possuem modo solo nativo, como o sistema de jogo solo do RPG chamado Ronin, lançado aqui no Brasil em 2025 pela Tria Editora, assim como outros que estão chegando cada vez mais no mercado nacional e internacional.
É nesse ponto que me deparei com os conceitos de Oráculos e Geradores nos jogos solo de RPG, os quais são ferramentas que partem de tabelas aleatórias, dados, ou cartas, que tem o objetivo de estimular a imaginação do jogador e auxiliar nas tomadas de decisão, respondendo perguntas realizadas pelo jogador e auxiliando na construção do mundo e dos acontecimentos que definirão/auxiliarão nos rumos da aventura.
Não sou nenhum especialista em mecânicas de jogos, contudo, apenas para contextualizar, segue pequena definição do que são os Oráculos e Geradores que conheci durante minhas pesquisas para iniciar minha imersão solo no Fabula Ultima:
Oráculos:
Usualmente os oráculos são utilizados para responder perguntas binárias de SIM ou NÃO sobre o mundo do jogo, seus arredores e do ambiente no qual o jogador está inserido, podendo agir sobre questões macro de universo ou mundo ou mesmo da sala ou pessoas envolvidas na cena ou ação. Os Oráculos simulam o Mestre de Jogo, oferecendo ao jogador solo/coop meios para interpretar as respostas obtidas por meio da ferramenta de Oráculo utilizada.
Imagine que o Herói do jogador está em uma sala e ele depara com uma porta fechada, ele então pode perguntar ao oráculo: “A porta está trancada?” ao rolar o dado ou utilizar a ferramenta de oráculo escolhida o resultado pode ser um SIM ou NÃO, ou mesmo uma resposta condicionante, a depender da mecânica utilizada, inclusive, existem condições em que, mesmo um “NÃO” pode resultar em um resultado diferente daquele esperado pelo jogador a depender da ferramenta e mecânica referenciada, ou mesmo quando utilizada em conjunto com Geradores.
Geradores:
Os geradores são tabelas ou ferramentas que produzem conteúdos específicos para o jogo, podendo conter desde NPC, Locais do jogo, Masmorras entre outros, assim como palavras e imagens aleatórias (muses) que remetem ao tema ou mesmo que sejam de temas genéricos.
Os geradores podem ser utilizados isoladamente na criação de NPCs e outros conteúdos específicos para o jogo, como também podem ser utilizados para gerar palavras aleatórias auxiliando a tomada de decisão e imaginação do jogador nas respostas de “SIM” ou “NÃO”.
Em alguns momentos, pode ocorrer situações em que o jogador não conseguirá interpretar a resposta binária, necessitando assim buscar uma resposta complementar em um Gerador.
Tomando como exemplo o Herói (PJ) na sala com a porta fechada, suponhamos que ele tenha obtido uma resposta positiva, contudo, você imaginava que essa não seria a situação para aquele momento, então para ajudar a interpretar o que estava ocorrendo naquele momento, o Jogador buscou ajuda do Gerador e obteve a palavra-chave: “oculto”. Essa palavra poderia ser interpretada, a depender do que estava ocorrendo em cenas anteriores, como uma armadilha, ou condição que impediria o avanço do Herói (PJ).
Toda essa situação já seria suficiente para iniciar uma ação/cena ou mesmo para que o jogar realizasse novas perguntas, sempre lembrando que, o Jogo Solo é seu e, em decorrência disso, é importante evitar realizar muitas perguntas repetitivas que busquem um mesmo objetivo ou resultado específico.
As vezes, o melhor a se fazer é seguir as respostas do Oráculo e do Gerador, deixando para traz qualquer ideia predefinida de objetivo que se tinha no início da sessão, isso torna o jogo mais imersivo e possibilita que a imaginação seja a todo momento confrontada com as vontades caóticas de alguns resultados.
Penso que já me alonguei mais que o necessário na apresentação dessa nova empreitada do canal e espero que esse pequeno relato possa ajudar alguém que necessite de um pouco mais de informações quanto ao assunto.
Tenho a intenção de continuar a resenha das minhas experiencias com as partidas solo no mundo do RPG do Fabula Ultima, passando desde as ferramentas especificas de Oráculos e Geradores utilizados até o desenrolar da história e do desenvolvimento dos personagens criados ao longo da aventura.
Espero que voltem para uma nova leitura e até a próxima pessoal.