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Havocville
"Como moscas para meninos travessos somos nós diante dos deuses; eles nos matam por esporte."
Não sabemos se Fabricio Leotti e Tulio Ornelas tinham essa frase do Rei Lear, de Shakespeare, em mente ao criar Havocville, mas ela serviria perfeitamente como slogan do jogo. Isso porque, em Havocville, da Dice Coalition, de 2 a 5 jogadores assumem o papel de deuses competindo por domínio, mostrando pouca consideração pelo bem-estar dos meros mortais à sua disposição. Existem facções de pessoas diferenciadas por cores (das cartas, não de pele), mas nenhum deus pertence a uma facção específica; a facção que você decide favorecer dependerá dos requisitos das cartas de dominância que receber.
O jogo é disputado ao longo de três eras, somando 7 turnos por jogador, e em cada turno você realiza uma ação de criação e uma de transformação.
• Ações de criação adicionam tiles de terreno ou de pessoas à cidade de Havocville. Esses tiles podem conceder cartas bônus e tokens, dependendo da adjacência e do resultado de dados personalizados de seis faces.
• Ações de transformação permitem comprar cartas de caos (escolhendo entre dois efeitos) ou manipular tiles já posicionados no tabuleiro.
Entretanto, outros jogadores podem desafiá-lo e, caso vençam, roubam sua ação de transformação. Quando um deus é desafiado, ambos jogam secretamente uma carta de pessoas como “campeão”; o desafiante também precisa apostar um token de poder. Cada deus então oculta na mão o número de tokens de poder que está investindo no duelo. Tudo é revelado simultaneamente, e o vencedor realiza a ação — os tokens vão para tiles no tabuleiro, mas todas as cartas de campeões são descartadas, afinal, para os deuses, mortais são descartáveis.
Sempre que dois tokens estiverem sobre um tile, ele é amaldiçoado: vira para o outro lado, perde sua cor de facção e não conta para pontuação. Para restaurá-lo, um deus precisa abençoar o tile, removendo todos os tokens de poder nele.
Toda essa criação, transformação, desafios, caos e maldições serve para manipular o tabuleiro compartilhado de modo a cumprir os requisitos das suas cartas de dominância. Elas pontuam no final de cada era, mas permanecem para a próxima, podendo pontuar novamente. As cartas começam viradas para baixo, então é preciso deduzir os objetivos dos oponentes — e talvez blefar para despistá-los. Mas qualquer carta sua que sobreviver para a próxima era torna-se pública, e você pode apostar que os outros farão de tudo para impedir que você marque pontos com ela de novo.

Você se sente como um deus ao jogar Havocville? Provavelmente não — embora, se for do tipo que gosta de entrar no personagem, há aqui um papel suculento: talvez queira ensaiar discursos trovejantes no melhor estilo Brian Blessed. Sob o tema, no entanto, Havocville é um elegante jogo abstrato, misturando otimização de quebra-cabeça com blefe e dedução. E, apesar do tema, nenhuma divindade real foi ofendida na criação ou na jogabilidade deste jogo.
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Traduzido*** por
Marcelo Gama
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