Eu já. Em 2012, eu e minha esposa demos uma volta de carro por toda a França e ficamos dois dias dormindo em Dijon que, aliás, foi uma decepção. A cidade estava com muitas obras, muito suja, e eu inventei de provar uma Adouillette (que, em tese, seria uma linguiça, mas era algo incomível) que me fez passar mal. Mas as mostardas são ótimas e eu trouxe várias para casa!
Nem tudo foi ruim. No dia seguinte, fizemos um passeio até a linda cidade de Beaune, que é o principal centro da região vinícola da Borgonha (que é uma das duas principais regiões da França em termos de vinho, junto com o Bordeaux). O lugar é fantástico e a principal atração é o hospital medieval, criado por um casal de burgueses da cidade para, segundo eles mesmos "ajudar a quitar seus pecados com Deus".
Fomos também visitar as ruínas de um monastério abandonado, que vale muito a visita.
Enfim, tenho boas e más lembranças da Borgonha. Os vinhos em si, muito famosos, não são muito meu estilo, pelo menos em relação aos tintos (quanto aos brancos, o Chablis é fantástico).
Não jogava board game nessa época, mas olhando em retrospecto, ficam claras as referências que o Feld usou para situar a sua obra prima, Castles of Burgundy, nessa região. Castelos, Hospitais, Mosteiros, Fazendas... é engraçado que o principal, que é o vinho, só ficou na expansão.
Ok, um espírito de porco diria que ele poderia ter usado qualquer parte da Europa para situar seu jogo, e não estaria errado. Mas isso é um Euro dos anos 201x, esse negócio de tema não era tão importante assim...
Começamos nesse artigo uma série de reviews de jogos clássicos, ícones do hobby, onde vou dizer o que penso de jogos altamente consagrados. Além de explicar rapidamente o jogo, vamos tentar entender porque ele é tão bom e, principalmente, porque ele passou no teste do tempo. É relativamente fácil fazer um jogo que agrade por algumas partidas. Fazer um jogo que sobreviva a dezenas, centenas de partidas, é algo totalmente diferente.
E, no final do artigo, vamos começar algo que prometi nos comentários do artigo anterior. Leiam até o final, acho que vocês vão gostar!
Você, um Senhor Feudal
Castles of Burgundy é um jogo de 2011, criado por Sthephen Feld e que foi lançado na Alemanha pela Alea e no Brasil pela Grow. O jogo possui uma reedição famosa em 2019, com inúmeras expansões e uma versão de luxo lançada em 2023 (lançada no Brasil pela MeepleBR).
Sucesso de Público e Crítica, o jogo foi candidato a muitos prêmios, mas não ganhou tantos assim (no Spiel des Jahres, ele ficou apenas na long list, por exemplo), pois, como veremos, demora um pouco para você perceber a genialidade que está pro trás da sua aparente simplicidade (refletida em bem medidos 2,97 de peso no BGG).
Pois bem, nesse jogo cada um de nós é um nobre com o seu feudo a construir. Existem áreas propícias a seis tipos de atividades: comércio (os rios), mosteiros, construções, fazendas, castelos e minas e vence quem construir o reino mais produtivo, contabilizado através dos pontos de vitória (que valem mais do que dinheiro, mas que explicarei mais adiante).
Estrutura do Jogo
O jogo é bem abstrato e suas principais mecânicas são a compra de peças (que representam as atividades) em um mercado aberto e a colocação das mesmas no tabuleiro individual de cada jogador, que representa o mapa do seu feudo.
O tabuleiro central é formado por sete "mercados" de peças (um para cada valor de dado e um central), um estoque de mercadorias e um dado neutro (que decide em que mercado a mercadoria da rodada cairá). O tabuleiro individual possui o mapa do feudo (composto por 37 espaços, com distribuição variada de terrenos), espaço para armazenamento de até 3 tiles, das moedas, das mercadorias e dos trabalhadores.
O jogo possui a seguinte estrutura: são 5 rodadas, cada rodada com 5 turnos, cada turno com 2 ações, representadas por 2 dados, o que leva cada jogador a ter 50 ações no jogo. Além disso, existe uma ação opcional (limitada a uma vez por turno) de comprar uma peça no mercado central, ao preço de duas moedas (que podem ser obtidas através do comércio e minas).
A seleção das ações é limitada por dois dados, cada um deles representando uma ação. Em cada ação você tem 4 alternativas: a) comprar um tile do mercado relativo ao número do dado; b) coloca um tile que já possua em um terreno com o número do dado e que esteja conectada a uma peça já colocada no reino; c) vender uma mercadoria do número do dado; d) trocar o dado por dois trabalhadores (cuja função é justamente ajudar a mitigar o valor dos dados - você pode gastar trabalhadores para corrigir o valor de um dado, inclusive passando de 6 para 1 e de 1 para 6).
Embora estejam organizados de formas diferentes, todos os tabuleiros possuem a mesma distribuição de terrenos. Os seis tipos de terrenos funcionam cada um a sua forma, pontuando e contribuindo de forma diferente para o seu reino, a saber:
1) Comércio/Barcos (Azul) - Quando você coloca uma peça de comércio no seu reino, o jogo lhe permite imediatamente pegar uma mercadoria no tabuleiro, que poderá ser vendida posteriormente. Além disso, você avança na trilha de iniciativa, que decide quem joga primeiro a cada rodada. Cada reino possui 6 espaços de comércio.
2) Minas (Cinza) - As minas geram prata. Ao fim de cada rodada, cada mina colocada em seu reino lhe renderá uma moeda. As minas costumam ser muito disputados no início do jogo. Cada reino possui 3 minas.
3) Cidades/Prédios (Marrom) - São as diferentes construções que uma cidade pode possuir. Bancos, Prefeituras, Igrejas, Oficinas... Cada prédio traz um benefício diferente, seja comprar peças, colocar peças, ganhar trabalhadores ou moedas. É o tipo de terreno mais presente no mapa, com 12 lugares de construção.
4) Mosteiros (Amarelos) - Os mosteiros são os postos de conhecimento e cultura da idade média e por isso eles trazem as tecnologias (que representam poderes passivos que alteram as regras do jogo para quem as possui ou pontuações de fim de jogo). Cada reino possui espaço para 6 mosteiros.
5) Fazendas (Verdes Claro) - As fazendas ficam melhores com a especialização. Cada tile traz um animal em uma determinada quantidade. Quando colocada no reino, pontua-se imediatamente o valor total daquele animal naquela fazenda (isso é, se você já tinha 4 vacas e coloca um tile com 3 vacas, faz sete pontos). Cada reino possui 6 fazendas.
6) Castelos (Verde Escuro) - Todo reino começa com o primeiro castelo já colocado. Quando um novo castelo é colocado, o jogador ganha uma ação extra, que pode ser executada sem a limitação do número do dado. Cada reino possui espaço para 4 castelos.
Pontuação
A principal forma de pontuar é completando um terreno. Sempre que um terreno é construído inteiramente (isso é, que todas peças contíguas de um determinado tipo estejam colocadas), atribuí-se uma determinada pontuação, de acordo com o tamanho do terreno (quanto maior, melhor) e a rodada em que ele é concluído (quanto antes, melhor).
Outras formas de pontuação: construir torres (que dão 4 pontos imediatos), construir fazendas (que contam os pontos dos bichos que estão sendo adicionados, mais os bichos do mesmo tipo que já existam naquele terreno), vender mercadorias (que dão pontos por mercadoria de acordo com o número de jogadores, além de uma moeda) e os bônus de fim de jogo atribuídos pelos mosteiros a quem os constrói. Além disso, são dados os pontos para quem completar primeiro todos os terrenos de um determinado tipo, e para as mercadorias, moedas e trabalhadores que sobram ao final do jogo.
Porque é tão bom?
Em um primeiro momento, Castles of Burgundy parece um jogo como outro qualquer. É uma seleção de dados bem bolada, tudo no seu lugar, parece que tem um pouco de sorte, os duplos no dado te irritam, e beleza.
A minha experiência mostra porque devemos avaliar a primeira partida de um jogo de forma relativa. Logo que o Burgundy entrou no BGA, durante a pandemia, resolvemos jogar. Eu e pelo menos mais um dos jogadores não conhecia o jogo e um dos jogadores era um cara muito experiente.
Pois bem, eu ganhei de lavada. Como podem ver, eu convoquei a porcada inteira para me ajudar. Quando eu completei o território dos animais foram 25 pontos de animais, 18 pontos do terreno e 7 pontos por ter completados os terrenos verdes primeiro. 50 pontos em uma jogada, 20 por cento da pontuação (fora os pontos que ganhei por ir acumulando as peças de animais).
Cara, eu estou jogando um jogo famoso, contra um cara bom (foi o que ficou em segundo) e ganho relativamente fácil, pois eu nem me senti fazendo grandes planos, eu apenas fui jogando a linha que me parecia mais óbvia (revi o jogo agora e com certeza jogaria bem diferente do que joguei nesse dia - eu praticamente ignorei as minas e os monastérios).
Facilidade demais, principalmente contra um bom adversário, é algo que depõe contra o jogo. O que aconteceu na verdade é que deixamos entrar o famigerado "tabuleiro 8" no sorteio e ele é reconhecidamente mais fácil que os demais (ninguém sabia disso quando jogamos).
Isso realmente desequilibrou o jogo a meu favor. Não tira o meu mérito de ter lido bem a situação, mas a vida não é tão fácil assim normalmente. Esse placar de 249 era o meu recorde até a semana passada, quatro anos depois.
Com o tempo, fui jogar outras partidas e vi que o jogo era bem mais equilibrado. Hoje, dezenas de partidas depois, eu reconheço a beleza e a perfeição de um jogo que simplesmente eu não consigo enjoar.
A beleza do Burgundy está na forma na forma como a sua assimetria (basicamente definida pelo formato dos mapas) leva os jogadores a buscarem coisas diferentes ao mesmo tempo em que os benefícios das peças fazem os interesses convergirem novamente. Esses vetores de interesses contraditórios é a chave para qualquer jogo se tornar interessante. É o que traz o custo de oportunidade.
No início do jogo todos estão muito limitados pelos dados e pela posição do mapa. Isso torna a leitura do jogo muito interessante e cheia de alternativas. Você vai ter que avaliar o que cada um está buscando para escolher suas prioridades e, caso não saia exatamente o que você pensou (ou os dados lhe atrapalhem), você normalmente terá opções.
Embora o que os adversários façam importe bastante, o jogo permite que você antecipe as jogadas, então o down time não é um problema.
Estratégia
Como todo jogo muito jogado, ele possui aberturas manjadas (basicamente há uma competição pelas minas e pelo barcos, buscando iniciativa), mas ele rapidamente entra no meio jogo e a melhor leitura prevalecerá.
Existe muito material no BGG detalhando as vantagens e desvantagens de cada peça. Eu não vou entrar nisso. Vou apenas delinear algumas dicas gerais:
1) Qual a sua posição inicial: Você é um dos primeiros a jogar? Então vale a pena começar perto da mina. Se não for, talvez valha a pena buscar outra ideia. Você está jogando uma partida de 2, 3 ou 4 jogadores? Isso muda muito a dinâmica do jogo, pois com 4 jogadores você tem certeza que todos as peças sairão no jogo, o que não acontece com menos jogadores. Além disso, as mercadorias e as recompensas valem menos no jogo com menos adversários, o que diminui um pouco o valor do dos barcos.
2) Avalie o seu tabuleiro: quais são os terrenos mais fáceis de completar. Tente começar perto deles. O bônus das primeiras rodadas é bem interessante. Se você está com o tabuleiro que tem o terreno de oito construções, considere muito a tecnologia que permite prédios repetidos. Ela pode ser a diferença no final do jogo.
3) As tecnologias que dão pontos por construções específicas não são muito boas no início, porque seus adversários vão marca-las. Se você vai jogar buscando iniciativa, aquelas que pontuam as mercadorias ou facilitam o comércio combinam muito com o seu jogo.
4) Não invista em terrenos que você não tem como completar. Do mesmo jeito, não se apegue a um terreno iniciado se ele foi inviabilizado pelos adversários. Custo afundado é custo perdido nesse jogo.
5) Não se afobe para completar terrenos no inicio da rodada e não se entupa de peças no fim da rodada.
6) Use seus trabalhadores com moderação. Eles vão fazer falta.
E os dados?
Por ser um jogo que usa dados, alguns podem acusar o Burgundy de depender de sorte, como se isso fosse um grande problema.
Quem disser que ele não tem nada de sorte é um mentiroso. Numa partida disputada, vai ter um momento crítico do jogo onde você ficou sem trabalhadores e os pips do dado vão importar. E aí vem aquele duplo maroto que mata de raiva. Acontece...
Isso não quer dizer que o melhor jogador não vença na grande maioria das vezes. Saber lidar com a sorte também é uma valência importante no mundo dos jogos, apesar dos "ditadores do determinismo" torcerem o nariz quanto a isto.
O jogo dá inúmeras formas de mitigar os dados. Tem os trabalhadores, tem as tecnologias, tem as moedas. Cabe a você evitar ficar em situações críticas. Burgundy é um jogo de planejamento e de leitura do que os outros vão fazer.
Eu adoro jogos com mitigação de sorte e Burgundy faz isso com maestria.
Legado
Castles of Burgundy é um jogo extremamente popular, com inúmeras versões lançadas, spin-offs, aplicativos para computador e celulares, está disponível no BGA e outras plataformas online sendo então de fácil acesso a qualquer jogador.
Dos spinoffs, eu conheço dois: um é um roll & write chamado The Castles of Burgundy: The Dice Game, que dá bem a sensação do jogo principal, embora seja uma experiência muito mais multiplayer solitaire do que o original.
Outro é o The Castles of Tuscany, projetado para ser uma versão mais simples, com mais ou menos as mesmas ideias, só que com a seleção de ações direcionada por cartas e não por dados e com um esquema de pontuação cumulativa. Infelizmente, não fez muito sucesso.
O App do computador é legal, mas tem o grande problema de ter que ficar trocando de tela para ver o tabuleiro do adversário. Isso é bem chato. Por isso eu prefiro jogar no BGA mesmo.
Conclusão
Burgundy não é o meu jogo preferido do Feld (eu gosto mais do In the Year of the Dragon, o desafio dele mexe mais comigo, o senso de urgência é maior), mas ele é tão bem feito e acessível que merece o título de obra-prima e sua vaga como clássico do Board Game nessa série.
Acredito que enquanto houver board game moderno, haverão pessoas montando seus feudos na Borgonha!
"Faça um comentário legal e ganhe um jogo!"
Como prometi num comentário do último texto, vou passar a doar um jogo meu a cada artigo. É uma forma de ajudar a limpar minhas estantes de um jeito que considero legal ao mesmo tempo que de alguma forma fomento a participação do público na coluna.
O concurso é muito simples. Eu leio todos os comentários que são escritos, tanto no Blog quanto na Ludopedia (eu sempre deixo o texto no blog alguns dias antes de postar na Ludopédia) e vou doar um jogo para o usuário que fizer o comentário que eu achar mais interessante. Ponto.
Sou eu que estou dando o jogo, sou eu que decido, não tem recurso, não tem votação. Se eu ficar em dúvida e resolver sortear, é porque eu quis que fosse assim. Se calhar de ser alguém conhecido, é porque eu gostei do comentário, não é porque é meu amigo (eu poderia dar o jogo para ele se eu quisesse sem ser por aqui). Se eu tiver dúvida entre um comentário da Ludopedia e um do Blog, vou privilegiar o Blog (muito menos gente escreve lá e eu quero incentivar que mais gente frequente o Blog).
Para ser elegível, basta fazer um comentário pertinente sobre qualquer questão do hobby. Podem ser críticas ou elogios, contanto que sejam respeitosos a mim ou a qualquer pessoa citada.
Se eu responder ou der uma curtida, é sinal de que pelo menos você está no páreo.
Importante: só vou considerar comentários feitos por usuários que não sejam anônimos. Essa última parte é importante porque quem ganhar fica hors concurs por um ano, para dar chance aos demais. Vou tomar muito cuidado com isso, já vou avisando.
Os jogos em si vão no estado em que estão, que é bom ou ótimo, mas eu não sou loja e não garanto contra eventuais componentes perdidos, eventuais pontos de mofo, etc. O frete será por minha conta (PAC). Eu entrarei em contato com o vencedor para pegar endereço e enviar o jogo.
Se começar a dar mais aborrecimento que alegria, a brincadeira acaba.
O jogo desse artigo é o Oak.
Oak é um Euro de Alocação de Trabalhadores lançado pela Grok, de autoria de Win Gossens e arte de Maciej Janik. O tema é a civilização celta com os seus druidas fazendo rituais ao redor de um grande carvalho para conseguir a única coisa que importa na vida: obter pontos de vitória.
O grande lance do jogo é a especialização dos Druidas, que é marcada com os apetrechos tipo playmobil que se coloca nos meeples.
O jogo está saindo da coleção porque simplesmente não tenho mesa para ele. É um euro bacaninha, mas para esse tipo de jogo a fila é muito grande e esse jogo é bom, mas não é isso tudo. A cópia que está sendo dada foi adquirida de segunda mão, era a cópia do Covil dos Jogos, usada no vídeo abaixo:
É isso aí... Se você quiser tentar ganhar esse jogo, escreva um comentário sobre o Oak, ou sobre o Castles of Burgundy, ou sobre qualquer tema do Hobby e, quem sabe, você não leva?
Eduardo Vieira
Eduardo Vieira é analista de sistemas, e participa do Hobby desde 2018, mas vem tentando descontar o tempo perdido! É casado, mora no Rio de Janeiro e vive reclamando que não tem parceiros para jogar tudo que compra!
Cara, o senhor matou a pau ai, Burgundy é muito bom! E foi um excelente pontuação!
Eu também não consigo enjoar desse jogo.
Já sobre o Oak, eu joguei ele mas o que pegou foi que eu consegui fazer quase todos (ou todos, não lembro) os druídas especiais (com roupinha)... Daí achei meio nada a ver, porque estava esperando muito dele.
É legal, mas não tanto quando minhas expectativas pediam.
Raio::Cara, o senhor matou a pau ai, Burgundy é muito bom! E foi um excelente pontuação!
Eu também não consigo enjoar desse jogo.
Já sobre o Oak, eu joguei ele mas o que pegou foi que eu consegui fazer quase todos (ou todos, não lembro) os druídas especiais (com roupinha)... Daí achei meio nada a ver, porque estava esperando muito dele.
É legal, mas não tanto quando minhas expectativas pediam.
Já o Burgundinho, não nego uma partida
Valeu pelo texto!
Raio,
Então você não faz questão de ganhar o jogo, é isso?
De maneira geral, sugiro jogar mais vezes. Talvez os adversários tenham ficado muito perdidos e o jogo tenha sido fácil demais por conta disso. Nunca subestime o fato que o que é simples para nós não é simples para quem não é jogador inveterado como nós somos.
Burgundy pra mim é um dos melhores jogos já criados, um verdadeiro clássico.
Acho uma pena não termos esse jogo, em sua versão básica mesmo, sem "fru-frus", sendo distribuído por alguma editora por aqui.
Tivemos a edição super especial? Sim, mas não era pra qualquer um.
Que alguma editora leia esse comentário e pense: "verdade, por que não estamos distribuindo esse jogão em nosso querido pais?!?" Burgundy é um jogo que deveria estar sempre nas prateleiras, tal qual Catan, Carcassonne e Azul.
Enfim, espero algum dia adquirir alguma cópia e poder construir nobres feudos com meus filhos.
THE CASTLES OF BURGUNDY, o burgundinho, mexe profundamente com minhas emoções porque foi o meu primeiro jogo de tabuleiro — o jogo que me abriu as portas, de forma totalmente aleatória, para esse universo que hoje me apaixona tanto.
A história começa quando um primo distante de um amigo meu faliu a luderia que mantinha em Goiânia, uma casa de jogos que não resistiu à pandemia de Covid-19. Para ajudá-lo, meu amigo comprou The Castles of Burgundy por uma bagatela. Só que ele não conhecia jogos de tabuleiro modernos, e ter o jogo em casa não despertou nele qualquer interesse. Assim, o jogo ficou esquecido numa prateleira.
Algum tempo depois, eu estava ajudando esse meu amigo com a mudança. E, como é comum nesse processo de “desapego”, ele me perguntou se eu não queria o jogo, já que ele iria jogá-lo fora. Lembro de ter dito: “Eu quero… vai que eu presenteio alguém sem gastar nada”. Peguei o jogo sem qualquer pretensão.
Meses passaram, o jogo seguia comigo, até que um dia voltei de um churrasco frustrado — arruinado por uma chuva repentina e catastrófica — junto com minha namorada da época, hoje minha esposa. Queríamos fazer algo diferente, e mencionei que tinha um jogo ali na estante. Li as regras e resolvemos jogar. Eu achei o jogo legal logo de cara; ela, porém, ficou encantada desde a primeira partida… talvez porque tenha ganhado por pouquíssima diferença.
Depois disso, ela foi embora, mas conversávamos muito por telefone, e ela sempre tirava onda por ter vencido. Propus uma revanche. Jogamos novamente… e ela ganhou de novo. E foi nessa segunda partida que me dei conta de que o jogo era realmente excelente.
Fui ao YouTube procurar mais sobre ele e encontrei um vídeo de um youtuber listando os cinco melhores jogos de tabuleiro.The Castles of Burgundy aparecia em quarto lugar. A partir daí comecei a adquirir jogos, e hoje minha coleção — grande para alguns, pequena para outros — já soma 150 títulos. Mas minha paixão pelos jogos começou ali, com The Castles of Burgundy. E, sinceramente, não concordo com o youtuber: para mim, ele é o meu primeiro lugar. Há um fator afetivo, claro, mas é um jogo que carrego no coração.
Meu amigo continua sendo meu amigo e, mesmo vindo à minha casa, ainda não gosta desse universo. Sempre que olha para minha estante cheia de jogos, ele brinca:
- O que foi que eu fiz com você?
kkkkk
Raio::Cara, o senhor matou a pau ai, Burgundy é muito bom! E foi um excelente pontuação!
Eu também não consigo enjoar desse jogo.
Já sobre o Oak, eu joguei ele mas o que pegou foi que eu consegui fazer quase todos (ou todos, não lembro) os druídas especiais (com roupinha)... Daí achei meio nada a ver, porque estava esperando muito dele.
É legal, mas não tanto quando minhas expectativas pediam.
Já o Burgundinho, não nego uma partida
Valeu pelo texto!
Raio,
Então você não faz questão de ganhar o jogo, é isso?
De maneira geral, sugiro jogar mais vezes. Talvez os adversários tenham ficado muito perdidos e o jogo tenha sido fácil demais por conta disso. Nunca subestime o fato que o que é simples para nós não é simples para quem não é jogador inveterado como nós somos.
Sds,
Eduardo
Então, eu quase nunca faço questão de ganhar os jogos, principalmente os novos...
Eu tenho a premissa de que se eu conseguir executar algo que eu planejei para aquele jogo eu já fico satisfeito. E no caso do Oak era fazer tal druída com a coruja... Depois eu fui desbloqueando os jogos. Acho que ganhei aquela partida, mas o jogo não me convenceu a jogá-lo novamente.
E todos os jogadores eram hardcores já só que naquele jogo eramos todos novatos.
Mas é isso ai, nem todo jogo é para todo o público (eu detesto Azul) e está tudo bem.
Valeu o/
Raio::Cara, o senhor matou a pau ai, Burgundy é muito bom! E foi um excelente pontuação!
Eu também não consigo enjoar desse jogo.
Já sobre o Oak, eu joguei ele mas o que pegou foi que eu consegui fazer quase todos (ou todos, não lembro) os druídas especiais (com roupinha)... Daí achei meio nada a ver, porque estava esperando muito dele.
É legal, mas não tanto quando minhas expectativas pediam.
Já o Burgundinho, não nego uma partida
Valeu pelo texto!
Raio,
Então você não faz questão de ganhar o jogo, é isso?
De maneira geral, sugiro jogar mais vezes. Talvez os adversários tenham ficado muito perdidos e o jogo tenha sido fácil demais por conta disso. Nunca subestime o fato que o que é simples para nós não é simples para quem não é jogador inveterado como nós somos.
Sds,
Eduardo
Então, eu quase nunca faço questão de ganhar os jogos, principalmente os novos...
Eu tenho a premissa de que se eu conseguir executar algo que eu planejei para aquele jogo eu já fico satisfeito. E no caso do Oak era fazer tal druída com a coruja... Depois eu fui desbloqueando os jogos. Acho que ganhei aquela partida, mas o jogo não me convenceu a jogá-lo novamente.
E todos os jogadores eram hardcores já só que naquele jogo eramos todos novatos.
Mas é isso ai, nem todo jogo é para todo o público (eu detesto Azul) e está tudo bem.
Valeu o/
Você não entendeu, eu falei de ganhar o jogo que estou doando, já que você não ligou para ele!!
Raio::Cara, o senhor matou a pau ai, Burgundy é muito bom! E foi um excelente pontuação!
Eu também não consigo enjoar desse jogo.
Já sobre o Oak, eu joguei ele mas o que pegou foi que eu consegui fazer quase todos (ou todos, não lembro) os druídas especiais (com roupinha)... Daí achei meio nada a ver, porque estava esperando muito dele.
É legal, mas não tanto quando minhas expectativas pediam.
Já o Burgundinho, não nego uma partida
Valeu pelo texto!
Raio,
Então você não faz questão de ganhar o jogo, é isso?
De maneira geral, sugiro jogar mais vezes. Talvez os adversários tenham ficado muito perdidos e o jogo tenha sido fácil demais por conta disso. Nunca subestime o fato que o que é simples para nós não é simples para quem não é jogador inveterado como nós somos.
Sds,
Eduardo
Então, eu quase nunca faço questão de ganhar os jogos, principalmente os novos...
Eu tenho a premissa de que se eu conseguir executar algo que eu planejei para aquele jogo eu já fico satisfeito. E no caso do Oak era fazer tal druída com a coruja... Depois eu fui desbloqueando os jogos. Acho que ganhei aquela partida, mas o jogo não me convenceu a jogá-lo novamente.
E todos os jogadores eram hardcores já só que naquele jogo eramos todos novatos.
Mas é isso ai, nem todo jogo é para todo o público (eu detesto Azul) e está tudo bem.
Valeu o/
Você não entendeu, eu falei de ganhar o jogo que estou doando, já que você não ligou para ele!!
Sds,
Eduardo
Ahhh, é mesmo?
Que legal. Eu realmente não entendi. Mas se eu ganhasse iria doar para um amigo. Ele começou a jogar comigo tem três meses... Daí uns dias atrás ele veio pra mim e disse que queria comprar "um joguinho para ter porque gostou muito e queria ter o dele."
Bixo, eu me considero velho já, mas quase chorei
Daí indiquei alguns pra ele e até dei um TtR Nova York pra ele começar já hehe.
Já tenho jogos demais. Espero que esse jogo que o senhor está doando chegue na pessoa certa.
Adoro ler as colunas, ao mesmo tempo me acho pessimo. Nao joguei maioria dos classicos e jogos.
Nao joguei nem Oak nem Castles.
De qualquer maneira, forte abraço.
Mesmo que ruim, gostei de saber sobre sua passagem nas terras que inspiraram jogos.
Burgundy para mim tem um peso emocional grande! ele me fez gostar de jogos com aleatoriedade e me fez entender que existe muita estratégia em lidar com o aleatório!
mais um ponto crucial para o burgundy ter um espaço no meu coração é o fato de que minha namorada/esposa/melhor amiga passou a gostar e curtir mais os jogos de tabuleiro devido ao burgundy! então ele só trouxe alegrias para minha vida.
a minha cópia da grow veio de leilao aqui na ludopedia, e não me desfaço dele nem sob ameaça kkkkkk