Fala, Ludonautas!
Eu estava desmotivado em continuar meu novo projeto... Sabe aqueles dias em que a cabeça parece uma gaveta vazia e o lápis escorrega pelo papel como se tivesse perdido o sentido? Pois é. Eu estava exatamente assim — travado, exausto, sem faísca nenhuma para prosseguir no novo jogo que estou desenhando.
Então, como sempre faço quando preciso reacender a chama, fui vasculhar o BGG em busca de alguma fagulha escondida. E foi lá, no meio de tantas postagens comuns, que me deparei com um relato que não apenas trouxe uma ideia… mas devolveu meu fôlego inteiro.
O texto contava a jornada monumental do jogo
Paddy, um jogo que
não nasceu de um lampejo mágico, mas de perseverança brutal.
“Paddy é o resultado de 300 testes, 100 testadores, 12 eventos e uma paixão inabalável pelo design de jogos.”, diz o designer espanhol
Alberto Camaño em seu relato robre o jogo. Aquilo bateu em mim como um lembrete poderoso:
grandes jogos não surgem perfeitos. Eles são esculpidos. Revisitados. Derrubados e reconstruídos. E Alberto viveu isso no limite — mais de
seis anos (6 anos galera!) lapidando uma ideia até transformá-la em algo digno de ser publicado pela 2Tomatoes Games.
Ao longo dessa saga, ele encarou
12 protótipos físicos, 14 versões completas de regras e incontáveis cortes dolorosos. Tudo guiado por princípios simples, mas raramente seguidos com essa disciplina: mannter o jogo elegante, priorizar decisões significativas, ouvir cada feedback (mesmo aquele que dói) e nunca, nunca aceitar a primeira versão como “boa o suficiente”. O relato dele é mais do que uma história sobre design;
é uma carta de amor ao processo — e um lembrete de que paixão verdadeira atravessa noites ruins, semanas sem avanço e meses de dúvida silenciosa.
E é por isso que escrevo este texto. Para você que, assim como eu, às vezes sente vontade de guardar o protótipo na gaveta e deixar pra lá:
não desista (e dizendo pra mim mesmo: não desisto!). O jogo que você sonha talvez demore
seis anos (!!!) para existir. Talvez precise de dez versões. Talvez exija cortar a sua mecânica favorita. Mas, quando finalmente tomar forma, você vai olhar para trás e entender que cada passo — até os dolorosos —
fizeram parte da criação de algo único. Continue. Ajuste. Refaça. Teste. Seu jogo merece nascer da sua melhor versão, não da sua pressa.
Espero que esse relato ajude alguém, assim como me ajudou também. Bora trabalhar!
Abraços.
Fonte: https://boardgamegeek.com/blog/1/blogpost/178529/designer-diary-paddy