irsigor::Galera, vocês entenderam que é um jogo de tabuleiro com tema e pontos históricos?!
O designer tem total liberdade poética para abordar qualquer assunto dentro das mecânicas propostas por ele, independente de seu viés ideológico.
Se ele quisesse distorcer totalmente a história, que não é o caso, ele poderia fazer, por ser uma obra de ficção.
Cabe aos professores, na escola, ensinarem de forma imparcial o que aconteceu e deixou de acontecer naquela época.
Estou muito empolgado nesse jogo, que tem tudo para ser um divisor de águas no mercado nacional de Boardgames. Toda dedicação que o designer está tendo é incrível, e ele conta muito com a ajuda da comunidade com críticas construtivas.
Bom comentário esse. Ele me dá espaço para esclarecer alguns pontos do raciocínio que já expus. É bem simples.
É o que sempre tenho dito: o designer pode fazer o jogo que ele quiser, a editora pode abraçar o projeto, e os jogadores podem ser felizes jogando. Só que isso não impede que alguém teça críticas ao raciocínio histórico que o jogo reproduz.
Pelo que vi (gameplays, entrevistas, anúncios de campanha de marketing, opiniões de jogadores de protótipo), eu não acho que esse jogo reproduz discursos de ódio (isso sim seria proibitivo em qualquer produto cultural), acredito que ele está em patamar semelhante ao de toneladas de ficções históricas presentes na literatura, cinema, indústria de jogos eletrônicos etc. Ele se insere em algo chamado "cultura histórica", que é produzida independente dos historiadores profissionais. Ele não tem função de historiografia (a história produzida pelos historiadores), mas como traz elementos da História do Brasil pode e deve ser problematizado enquanto veículo narrativo. Isso os historiadores podem fazer com toda propriedade do mundo. Como jogo, produz um discurso, e o discurso se torna público. Mapeá-lo é uma função importante. O que esse jogo não pode ser (e jamais será) é uma apresentação da História do Brasil.
O problema é que os defensores enlouquecem quando se diz que o jogo tem viés histórico comprometido com a comunidade monarquista. Mas ele tem, ué. Que se diga isso, então! Não vai anular o jogo e as pessoas não vão deixar de jogar por isso, suponho. Se um dia eu jogar, vou rir do Pedro II fodão e da "grande" Dona Isabel do Brasil, ou do Borba-Gato herói, ou mesmo da ideia de "luta pela Pátria" que muitos dos personagens escolhidos ali parecem gritar a cada segundo.
Até entendo a defesa exacerbada dos mais empolgados, afinal parece ser um jogo nacional que está valorizando o Brasil no hobby (que é um nicho). Mas passada a euforia, vem a lucidez.
Quanto ao designer, acho que ele fez um bom trabalho, não é fácil produzir um jogo e promovê-lo. Ele também parece ser um cara bem intencionado. Qualquer crítica ao discurso reproduzido no jogo não é direcionada a ele, enquanto pessoa. Uma coisa também não muda: o agenciamento dos elementos históricos presentes no jogo e a forma como eles se relacionam é produto da visão dele sobre à História do Brasil. Existe uma filiação.
Não sei qual é o problema que as pessoas têm em colocar as coisas no seu devido lugar.
Joguem sossegados, brindem ao Império, digam "Ave, Império", façam os Bandeirantes abraçarem os indígenas, ou a Igreja salvar suas almas, mas não precisa chamar isso de "História do Brasil". Simples.
Acho que a maioria aqui está exatamente querendo somente jogar e sentir o jogo mecanicamente, e achar legal ver aspectos da História do Brasil ali. Mas, finalmente: não é gratuito e tão simples como se possa supor.