frevolta::Eu agora fiquei muito curioso com a sua colocação.
Alias, vi hoje tambem que tem no STEAM o jogo. E me pergunto se não seria melhor como opção comprar no STEAM mais barato ao inves de vender meu carro para comprar o fisico.
Eu recomendo jogar antes. A implementação do Steam é bastante fiel ao jogo de mesa. Inclusive, irei mais longe e direi que GH parece justamente isso: um videogame. Várias regrinhas fazem muito sentido num videogame, e muito pouco num tabuleiro.
GabrielAlmeida::Rapaz, por quantas dessas 87 horas você carregou esse sentimento de "não aguento mais" e por quê? Seu grupo ainda tava empolgado?
Curiosíssimo sobre isso.
Das 87 horas eu diria que umas 40 foram de teimosia pra terminar o jogo e abrir todas as caixas. Jogamos em 3 e todos tivemos a mesma impressão: repetitivo, arrastado e história muito fraca.
Mohallem::Concordo que o jogo é mais longo do que deveria ser, e que isso compromete a coesão da História. Mas a sensação de fazer justiça ao gasto é ótima. E eu não tenho achado o jogo repetitivo. Os personagens são muito únicos, e acho muito cativante explorar as formas como eles interagem uns com os outros.
Além de que, por mais que a História deixe a desejar, o senso de progressão é fantástico: adoro encontrar antigos personagens pelas estradas; adoro abrir novos itens e ver a cidade de Gloomhaven se tornar mais próspera, enquanto o mapa da região acumula mais e mais localidades.
Eu discordo que faz justiça ao gasto. Vamos supôr que chegue ao Brasil por R$1000, como muitos pensam (eu chuto que será 799-899, mas ok). É um jogo com algumas miniaturas, uma porção de standees, muitas cartas e uma porrada de token. Só aí acho que vem menos coisa que num TI4, por exemplo, que tem 35kg de plástico. O problema é: o jogo é muito, muito fiddly (perdão a falta de tradução). Toda hora você põe token de dano, tira token, coloca token de status, etc. O consenso geral de outros grupos com quem conversei e no BGG é que o app simplifica e melhora a experiência muito mais. Beleza. Com o app você não precisaria mais dos baralhos dos monstros, dos tokens de status, de dano, dos elementos e das fichas. Basicamente é o app e suas minis no tabuleiro, transformando o jogo ainda mais num videogame e virtualmente jogando no lixo metade dos componentes pelos quais você pagou o equivalente a uma prestação do carro.
Os personagens iniciais (dos quais posso falar sem medo de spoiler) de fato possuem uma boa variedade de poderes e um flavor individual interessante, mas o jogo não é um jogo de exploração. É um dungeon crawler em que 90% das missões são "abra todas as salas e mate todos os monstros". Não existe razão para usar habilidades menos eficientes. Não existe maneira esperta de resolver o cenário, tem que abrir todas as portas e matar todos os monstros. Por inúmeras vezes me peguei pensando: "por que razão nós abriríamos aquela porta do outro lado da dungeon?" Ao meu ver o jogo tenta emular um RPG de mesa, mas falha muito, mas muito mesmo.
O sentimento de progressão é o que nos fez perseverar no jogo, exato. Mas não tem como adorar encontrar um personagem pela estrada se na despedida ele falou que ficaria na cidade cuidando de uma loja. As missões individuais por várias vezes foram pouquíssimo temáticas e contribuíram 0 para a imersão no jogo. Abrir novos itens é um dos aspectos extremamente videogame: entro numa caverna, abro um baú e acho as instruções para construir uma bota. Volto pra cidade e o vendedor na lojinha passa a ter a bota à venda. Entendo que exista quem goste, mas me incomoda demais.
A prosperidade é um desespero à parte. Jogamos, jogamos, trazemos dinheiro e a prosperidade não sobe, enquanto reputação já tínhamos o suficiente para que nossos filhos governassem a cidade.
Como sempre, são todas questões pessoais. Para mim, foi uma experiência ok. Nota 6 com boa vontade. Para outras pessoas, pode ter sido a experiência mais fantástica do mundo, e esse é o encanto do ser humano e suas diferenças.