Mezo, de mezo america – um termo que identifica a região da América que foi povoada por diversas civilizações pré-colombianas – é o próximo financiamento do coletivo da badalada Kolossal Games (Imperium, Western Legends).
Reestreiando amanhã (02.10.2018) no Kickstarter, Mezo é um jogo que já vem imbuído de muitas comparações com Blood Rage (três eras no formato de rodada, espaço para um local divino para onde as minis vão quando “morrem”) e Rising Sun (construções, deuses, apostas no controle de área). Mas antes de abordar o conjunto da obra, gostaria de comentar sobre o fenômeno de um jogo que ainda não foi teve nem seu financiamento concluído e já tem mais de quarenta tópicos criados no BoardGameGeek.
Talvez a palavra reestreado tenha soado um pouco estranha, mas é isso mesmo: Mezo foi lançado no KickStarter uma semana atrás, no dia 25 de setembro, e seu financiamento foi cancelado três dias depois – mesmo após ter sido totalmente financiado.
Isso porque muitas pessoas questionaram o preço os pledges da campanha, que iam de 80USD até 130USD, e o fato de várias metas estendidas serem apenas aplicáveis ao nível mais caro. O jogo chamou atenção de muitos jogadores que queriam poder compra-lo sem precisar ter que pagar pelas ostensivas miniaturas, queriam mesmo tê-lo pela sua essência.
Muitos desses questionamentos trouxeram à tona questões de relacionamento com o cliente, ou seja, a maneira como nós nos relacionamos com as produtoras de jogos. E a Kolossal Games deu um verdadeiro show de receptividade e parceria, comentando em todos os tópicos do fórum.
Quando, no segundo dia de campanha, a produtora percebeu que a arrecadação não estava caminhando bem e que as críticas eclodiam e resolveu anunciar todas as metas estendidas e reduzir as faixas desbloqueio.
No terceiro dia, as coisas não melhoravam. A arrecadação continuava baixa, e Mezo não parecia fazer jus ao sonho. Foi, então, que decidiram, honrosamente, tirar o financiamento do ar (campanha) e escutar todas as nossas críticas com uma receptividade incrível.
O jogo retornará com um pledge de 55USD em que será possível tê-lo sem precisar bancar as minis monstruosas – esse pledge terá inclusive direito à todas as metas estendidas da campanha.
E por que o Mezo parece ser um jogo tão incrível?
Se as miniaturas e a postura sensacional da produtora não te convenceram, vou te dar alguns detalhes do jogo...
Não há invocação das miniaturas no tabuleiro em Mezo, digo, não há nada parecido com o que acontece em Blood Rage ou Rising Sun, por exemplo, em que você precisa tomar ações ou gastar recursos para invocar as miniaturas. Há uma fase em que simplesmente cada jogador por vez as posiciona no tabuleiro, quantas quiser e seguindo uma regra de alocação.
Cada figura divina possui uma assimetria própria, que dita não apenas as habilidades da presença da miniatura sim, mas até mesmo as ações que cada jogador pode tomar. Existe um baralho de cartas para cada divindade, em que cada carta descreve três ações possíveis e aí está a magia do jogo: a seleção de ações é feita de forma totalmente assimétrica e alternada, com base em cartas que só são reveladas para todos os jogadores quando escolhidas.
A maior força num conflito te renderá a vitória, mas o maior número de unidades de guerreiros e xamãs te permitirá aloca-los um deles no calendário Maia, desbloqueando um bônus imediato e pontos de vitória por rodada em que a miniatura permanecer lá.
É incrível como a jogabilidade é dinâmica e como o tabuleiro muda constantemente; isso fica bem claro no vídeo do Meeple Vs Meeple, quando eles jogam a primeira rodada do jogo completa (gameplay).
A produção do jogo é excelente, ele é muito bonito. O pledge mais alto começará com 9 deuses distintos disponíveis. Além disso, nas metas estendidas trarão mais 3 outros deuses, criando um leque incrível de 1573 possibilidades de jogo entre 2 a 5 jogadores.
Se nada do que eu disse te convenceu, deixo as imagens abaixo que impressionam mais do que todos os segredos Maias reunidos.