A nova edição do Tinco chegou da gráfica hoje, e aguarda liberação do In metro.
Esta edição está com uma novidade muito legal: um novo marcador de pontos, que acredito que mereça um diário à parte.
Inicialmente a primeira edição viria com um clipes de metal colorido, para ficar presa a uma carta com a imagem da torre e com isso marcar os pontos de -5 a +5.
No entanto, o Inmetro não autorizou este componente, e foi necessário retirar todos os clipes de todos os jogos.
Um fiscal do Inmetro acompanhou todo o procedimento e após levou os clipes para incineração.
A edição anterior saiu com marcador de papel, pois faltavam apenas 2 dias para resolver a questão, senão a taxa do inmetro iria ser desperdiçada.
Para a segunda edição, precisávamos de uma solução melhor, e com mais tempo, daria para pensar em alguma alternativa.
Inicialmente pensamos em clipes de plástico e variantes, destes mais simples que vendem na maioria das papelarias de escolas, mas o Inmetro também não aprovou, por causa do tamanho ser muito pequeno.
Depois pensamos em fazer um marcador circular, com números de -5 a +5, como um yng - yang, com outra peça redonda em cima, com um talho e um pino no meio para juntar as duas peças.
O marcador ficou ótimo, mas seria muito caro, e o preço iria ficar muito elevado.
Para colocar ele, teríamos que mudar o tamanho da caixa, a caixa, com tampa e fundo, e só por causa disso o preço iria ficar elevadíssimo.
Só a caixa seria aproximadamente 60% do custo de produção.
Queríamos deixar o jogo mais barato possível, para deixar uma boa relação cusco x benefício, e também para atingir pessoas mais jovens, que não tem ainda estabilidade financeira, mas que querem se divertir um pouco.
Chegamos a pensar em mandar uma carta a mais para cada jogador, para ficar sobre a carta da torre, mostrando o número equivalente.
Isso resolveria o custo, mas ficaria péssimo para marcar pontos.
Tinco tem muita ação na mesa, e o material iria acabar caindo.
Chegamos a pensar em um tabuleiro, só para marcar os pontos, como Carcassone.
Mas o problema é que em Tinco a ação é na mesa inteira, com os braços de todos os jogadores indo e vindo o tempo inteiro, e qualquer tabuleiro iria cair no chão, ou precisaria ser colocado à parte do jogo, em uma outra mesa ou cadeira.
O custo seria maior e ninguém iria gostar desta solução.
Pensei também em tabuleiro com imãs, ou pinos, mas seria caro e teria o mesmo problema.
Pensamos em fazer uma fita de tecido com os números, ou uma pulseira, com um pregador, que marcaria os pontos. Esta fita poderia ser colocada em volta do pulso, do pescoço ou da cadeira de cada jogador, mas também não deu para imaginar quem iria gostar de jogar com um componente assim.
Teria a possibilidade de marcar em papel à parte, com caneta.
O problema é que também ninguém gostava disso: marcar dava um certo trabalho, quebrava o ritmo do jogo, e a marcação ficava confusa.
Alguns jogadores subiam e desciam muito, outros ficavam muito tempo no zero.
Tinha outra questão complicada também: normalmente em cada rodada 2 jogadores perdem pontos: um por ter ficado sem o medalhão e outro por causa da carta da discórdia.
Era um pouco constrangedor para o jogador que perdeu pontos anunciar para que outro jogador registre isso. Uma marcação individual seria mais
discreta e funcionaria melhor.
O fato é que os jogadores acabavam jogando sem marcar pontos, apenas pela farra na mesa, ou então marcavam na memória: cada um lembrava da sua pontuação e seguiam adiante, muitas vezes por horas a fio.
Depois disso, pensamos em fazer clipes de plásticos maiores, que não poderiam ser engolidos com facilidade.
A carta de pontos ainda ficaria, e o custo não seria tão caro.
Aí gerava outro problema: o clipes acabava "mastigando" a carta, que ficava marcada. Mesmo colocando sleeve não dava para preservar a carta, e ela acabaria estragando.
O Pitta, um amigo que tem loja, chegou a me sugerir uma solução que a Copag conseguiu para marcador de Truco: um marcador de papelão cheio de dobras muito elegante, com um marcador que sobe e desce mostrando a pontuação.
O marcador era lindo, mas o problema é que fazer tudo aquilo exigiria um monte de facas, e uma montagem manual, e teria que ter 6, um para cada jogador.
Novamente uma edição muito cara, porque teríamos que trocar a caixa também.
Em um determinado momento que achei que o melhor a fazer seria fazer um marcador de luxo, vendido à parte, para quem quiser uma versão melhor.
Cheguei a pedir para meu fornecedor, a Moedas e Co uma solução, e eles fizeram um material incrível: um marcador de metal, circular, sem pinos,
com um sistema de catraca para o número não sair do lugar caso fosse empurrado.
Eram duas peças em metal para cada jogador, em formato de yng - yang.
Lindíssimo!
Sem exagero: dava gosto de jogar com ele.
O problema é que era um marcador mais caro, de luxo mesmo e precisavam de 6 para jogar: um para cada jogador.
Viria 6 em uma caixa de madeira, sob medida para ele.
O problema é que com o mesmo valor daria para comprar um jogo grande.
Poderia resolver para uma pequena parcela do público, mas para o grande público, teríamos que ter uma alternativa melhor.
Como Tinco estava esgotado, não colocamos estes marcadores em produção.
Agora, com ele de volta, vamos fazer estas peças, porque ficaram um espetáculo à parte.
Mas ainda precisávamos resolver a questão do marcador que viria no jogo.
Eu já estava há mais de um ano com isso na cabeça, até que um dia o Alessandro (de Oliveira, co- autor do jogo), me ligou, e pediu para eu ir na empresa dele, que tinha encontrado a solução.
Fui até lá e fiquei felicíssimo com a solução:
Um novo tipo de marcador, feito de couché, que não estraga a carta, pode ser usado com a carta com sleeves e não sai do lugar com facilidade. Às
vezes a carta até cai no chão e a pontuação ainda fica no lugar.
Além disso, era muito fácil de usar, e era super agradável para as partidas.
Foi uma solução brilhante: simples, barata e elegante.
Ao olhar para marcador você inevitavelmente pensa: "Como não pensei nisso antes?"
É o tipo de solução que provavelmente será utilizada em outros jogos.
As soluções mais simples, são sempre as melhores.