INTRO-NECESSÁRIA-SÓ-HOJE:
Olá, amantes do plástico e do papelão!
Me chamo Raphael Gurian e talvez alguns já tenham me visto aqui pelo fórum, seja em outros canais (Oficina de Variantes e Sociedade dos Boards) ou só batendo papo postagens a fora. O que venho lhes trazer hoje não é uma, mas DUAS novidades totalmente excelentes!
A primeira, quem acompanha o grupo Mesa Para Um no WhatsApp já está ciente: o lançamento de um PODCAST OFICIAL! Cada episódio terá como host Lucas Lima e contará com convidados variados, sempre olhando para o universo da jogatina solo.
A segunda novidade é o que você está fazendo agora: lendo este texto! Além do PODCAST, o Mesa para Um tem a alegria de apresentar, também, a criação da iniciativa de MÍDIA ESCRITA! Hoje sou eu quem guiarei o bate-papo, mas sempre contaremos (assim como no PODCAST) com construções coletivas, feitas por muitas mentes, mãos e vozes.
Sintam-se convidados para colaborar, seja comentando nas postagens, ingressando no grupo de WhatsApp, dando sugestões, ajudando nas campanhas e tudo mais.
Acompanhe o Podcast em:
Em breve, traremos novas redes! Fiquem ligados.
Agora, vamos para a primeira postagem do Mesa Para Um: Escrita...
ED. #01 POR QUE NÃO JOGAMOS MULTIJOGADOR?
Então, não é beeeeeeemmm assim como escrevi no título (clickbait? Sei que isso não...). Obviamente, quem joga solo também joga com mais jogadores de vez em quando - e pasmém: até curtem! Eu conheço até jogador solo que prefere jogar em mais pessoas, vai por mim, acontece (sou um deles). O título, na verdade, é uma provocação a algo bem corriqueiro: desinformação e até preconceito com a prática de jogar sozinho. Além disso, ele dialoga diretamente com o primeiro episódio do PODCAST do Mesa Para Um. Se não ouviu, assim que terminar de ler este texto, curtir, seguir o canal e comentar (não necessariamente nesta ordem), corre para ouvir em:
https://open.spotify.com/show/033XSNCDWjvpciulcL6Fca.
Existe um universo rico e vasto relacionado a jogar sozinho. Não é apenas uma questão comercial, onde a editora pensa: “Haaa, vou criar modos de jogar sozinho, pois se a pessoa não tem com quem jogar, ainda assim compra o meu produto!”. Existem questões mais profundas relacionadas a gamedesign, comportamento social, cultura e experiência individual que permeiam o ‘jogar sozinho’. Obviamente, todos estes aspectos não caberiam em apenas um texto, logo, iremos postagem após postagem, trazer aos poucos todas estas questões. Eu mesmo, lá no início de 2023, trouxe alguns pontos (quem não conferiu, quando terminar por aqui, confere lá:
https://ludopedia.com.br/topico/67236/jogar-sozinho-antes-solo-do-que-mal-acompanhado) e existem outros canais parceiros dedicados ao tema como o “Era Solo que me Faltava” (
https://ludopedia.com.br/canal/EraSoloQueMeFaltava).
Mas afinal, por quais motivos eu iria preferir jogar sozinho ao invés de jogar com mais pessoas? Bom, para mim, vários! Posso apontar os principais sendo:
1. Jogar sozinho exige (ainda mais) atenção
Não ter mais pessoas para conferir nossos vacilos durante a partida, para ajudar a pensar estratégias ou até para ler as regras exige mais atenção, reflexão e foco durante as partidas. A ausência de um ‘bate papo descontraído’ que geralmente rola nas mesas multijogador abre espaço para uma dedicação estratégica mais minuciosa.
Eu consigo, inclusive, prestar mais atenção em detalhes da arte, aspectos de gamedesign. Posso, no meu tempo, pegar componentes para ler com calma, me debruçar – literalmente – sobre a mesa e ficar mais próximo de tabuleiros e afins, algo que, em mesas com mais gente, seria no mínimo deselegante eu ficar puxando para perto de mim e afastando de outras pessoas componentes conforme minha vontade pessoal.
2. Jogar sozinho permite tomadas de decisão diferentes
Mesas multijogador incitam em nós (pelo menos, na maioria das pessoas – e na maioria das vezes), um espirito competitivo mais evidente, sejam em jogos competitivo ou mesmo cooperativos, onde a vontade ganhar e se vangloriar é parte da diversão.
Jogar sozinho, por outro lado, permite arriscar mais, tentar possibilidades, estratégias, caminhos e afins, diferentes. Ninguém vai realmente ver a cag#da magistral que fiz ao fazer uma escolha que parecia muito tosca ...e realmente se demonstrou assim rodadas depois (e tirar sarro da minha cara) fora eu mesmo se eu estiver jogando sozinho. Ainda, eu não terei rivais humanos para reagir contra e adaptar minhas jogadas a eles. Jogadas estas que eu posso levar todo o tempo que eu quiser sem um chato ficar dizendo “vai ô ... é tua vez ... cadê a jogada? ... Tô dormindo aqui ... blablabla”. Sou EU jogando, no MEU tempo, a MINHA estratégia.
3. O custo social é menor
Não precisar conciliar agendas das pessoas, não precisar se deslocar fisicamente, não pensar coletivamente como/onde comer e quanto gastar, não se preocupar se a velocidade de reação dos outros jogadores fará uma partida se estender mais do que se gostaria, não passar por momentos de ansiedade com atrasos, falta e afins, entender que algumas vezes queremos ter uma experiência íntima e pessoal mais com a obra (o jogo) do que com as pessoas (a galera na mesa) são exemplos de fenômenos que exigem recursos internos e que precisamos arcar para jogar em galera. Precisar se preocupar com a própria socialização humana (quando muitas vezes, o que queremos é paz e sossego), entre outras coisas, geram um desgaste que muitas vezes queremos, simplesmente, evitar.
Jogar sozinho coloca apenas minhas próprias contingências em xeque. Eu entendo, perfeitamente, como a socialização é importante (meu trabalho fora daqui tem total relação com isso, aliás), porém, sofrer para buscar esta socialização dentro de um cenário onde a diversão (seja ela como for) é o foco principal – como o hobby de jogar, acredito ser um desgaste desnecessário, se feito a contragosto. Vai por mim: se quer só relaxar, muitas vezes jogar um boardzinho sozinho é mais gostoso do que com mais gente.
Um fato que acho curioso, é que não existe o hábito de indagar/provocar/criticar/cutucar quem joga videogame em modo 1 jogador, quem lê livros, quem desenha ou pinta, entre outras atividades, mas – por algum motivo – algumas pessoas ainda acham que ‘jogar jogo de tabuleiro sozinho’ é algo estranho, incomum, inesperado até.
Desmontados alguns preconceitos, vamos lembrar que sozinhos sim, mas solitários, jamais!!!
Prova disso, é o que vem a seguir: pensando nesta questão do jogar solo e como uma forma de fomentar aos curiosos (e corajosos) a iniciarem nesta prática, convidados vieram trazer as experiências deles quando iniciaram em mesa solo. Vamos lá:
1. QUAL PRIMEIRO JOGO SOLO QUE JOGOU? O que achou da experiência?
Rafael Arruda (criador de conteúdo - Batendo de Kina e Oficina de Variantes / gamedesigner):
Wingspan. Achei estranho, apesar de ser um automa simples, na estrutura
Flip and solve (virar carta, resolver a atuação do automa e já volta para o seu turno) eu achei que tinha cartas onde eu passava a vista e já entendia, enquanto outras me fizeram consultar o manual. Esse automa é bem fácil de pilotar mas eu ainda estava me familiarizando com as "vogais" de todo um alfabeto solo. Curiosamente eu gostei de fato a ponto de logo depois jogar
Zombicide solo, porém
Teotihuacan como terceira experiência solo.
Renan Marcel (Idealizador do projeto e canal Mesa para Um):
Considerando que recentemente respondi essa mesma pergunta no episódio #1
do Mesa para Um Podcast, vou compartilhar outra situação que me fez querer jogar solo, após me permitir adentrar nesse universo em julho de 2023. Vou comentar do “
Muralhas de Adriano”, que joguei com um amigo, a única interação com ele era utilizar, ou não, uma das suas cartas que mudava a cada rodada, e isso é feito naturalmente a partir de uma “manutenção”, abrindo uma nova carta. E digo isso porque muitas vezes eu terminava minha rodada antes e ficava um tempo significativo ele terminar suas ações. Inclusive, foi uma das experiências que me fez querer jogar mais solo, pois tive a sensação de estar jogando sozinho e percebi que poderia aproveitar melhor a experiência. A experiência foi excelente, pois eu não precisava me preocupar com mais ninguém, somente comigo mesmo.
Dheyrdre (criador de conteúdo - Era Solo o que me Faltava):
Vou considerar
Four Against the Darkness em 2016. Acredito que não tenha sido o primeiro, mas foi a virada de chave. Tinha o preconceito de achar que solo é um (preconceito dentro do solo com jogo solo de 4. Como estava errado.) Na primeira partida joguei algumas coisinhas erradas, mas já tinha gostado. Na segunda já estava com moedinhas, meeples, gemas e outros componentes físicos para imersão. Gostei MUITO mesmo, desenhar o caminho foi o que me ganhou. Cada personagem tem sua própria personalidade e escolher uma equipe é bem desafiador. O jogo tem tudo que me agrada, rolar dados, desenhar, criar personagem e tenho a calmaria de jogar no meu tempo.
(PRIMEIRO CONTATO: Wingspan, Muralhas de Adriano, Four Against Darkness)
2. O QUE FEZ MANTER O HÁBITO DE JOGAR SOLO?
Rafael Arruda (criador de conteúdo - Batendo de Kina e Oficina de Variantes / gamedesigner):
Não era toda vez que coincidia a vontade do meu irmão de jogar, ele era meu parceirão, meu player 2 e eu não queria que a experiência fosse chata pra ele. O que começou com a liberdade de jogar sem incomodar, seguiu pelo prazer de poder ver mais do jogo, e por me sentir bem, dentro de um momento de lazer onde era eu comigo mesmo.
Renan Marcel (Idealizador do projeto e canal Mesa para Um):
Ainda que possa ser uma das respostas mais frequentes, a possibilidade de escolher o que e quando jogar, pois naquele momento, apesar de me considerar um apaixonado por jogos de tabuleiro desde 2015, percebi que o mesmo já não estava mais tão presente na minha vida, ao ponto de não estar mais aproveitando tanto quanto antes. Percebi no jogo solo uma possibilidade de reviver a experiência com os jogos que tanto me agradava. No entanto, acreditava que tal experiência só era possível por causa dos amigos, jamais imaginei que os jogos por si só poderiam na experiência solo, também, trazer tanta satisfação quanto jogando multiplayer. Inclusive, percebo que consigo aproveitar ainda mais a experiência multiplayer.
Dheyrdre (criador de conteúdo - Era Solo o que me Faltava):
Poderia dizer que foi a mudança do Grajaú-RJ para o interior do RJ? Poderia sim! Mas tem mais a ver com poder jogar os jogos que quero. Num grupo, obviamente, vai rolar revezamento (é o justo) só que eu não sou eclético ao ponto de gostar de jogar qualquer jogo.
3. INDIQUE UM JOGO SOLO PARA QUEM QUER COMEÇAR NESTE HÁBITO (E JUSTIFIQUE)
Rafael Arruda (criador de conteúdo - Batendo de Kina e Oficina de Variantes / gamedesigner):
Caveiras de Sedlec.
Puzzle rápido, pra jogar 2 partidinhas entre teu corre-corre diário, ou 4-5 partidas numa sessão maiorzinha. Recomendo porque ele apresenta uma variação imensa pois no modo solo há desafios exclusivos desse modo, com layout e regras próprias.
Renan Marcel (Idealizador do projeto e canal Mesa para Um):
Beacon Patrol. Primeiramente, é um jogo cooperativo, possível jogar com amigos. Então, se você não aproveitar tanto a experiência solo, o jogo ainda continuará sendo bom. Particularmente, gosto bastante de jogos com colocação de peças. Em Beacon Patrol somos patrulheiros oceano adentro e seu funcionamento é muito semelhante com Carcassonne, no sentido de encaixar tipos de terrenos semelhantes, mais precisamente, água com água e terra com terra, na verdade, neve com neve. Além disso, não existe nenhum adversário, a manutenção entre turnos é extremamente simples, bem como as regras, e também existe diferentes pequenas expansões, já na caixa base, que aumenta a variabilidade e os desafios envolvidos no jogo. É um jogo bastante acessível considerando custo, com frequência vejo entre 100-130 reais. Outros dois fatores relevantes para quem está começando é a curta duração de jogo, preparação rápida e caixa pequena, além de elegante.
Dheyrdre (criador de conteúdo - Era Solo o que me Faltava):
Jogos com baralhos! Hoje e amanhã e sempre! Quem me conhece sabe o quão puxa-saco de jogos com baralho eu sou. Acho incrível a genialidade de criar várias formas de jogar com os mesmos componentes. Para começar nesse maravilhoso mundo de jogos com baralho indico
Regicide por ter conseguido virar uma franquia e é bem famoso.
(PARA COMEÇAR: Caveiras de Sedlec, Beacon Patrol, Regicide)
4. INDIQUE UM JOGO SOLO QUE CONSIDERA MUITO BOM (E JUSTIFIQUE)
Rafael Arruda (criador de conteúdo - Batendo de Kina e Oficina de Variantes / gamedesigner):
Final Girl. Ele atende um público específico sendo para os fãs de filmes de terror, e pra quem não se importa com sorte elevada em rolagens, eventos e outros ocorridos da partida (mas que ainda deixam espaço para estratégia). O modelo de jogo base + filmes com 1 localidade e 1 assassino (sendo 5 filmes por temporada) garante alta rejogabilidade (e alto lucro pra empresa que lançou hahah - mas foquemos no jogo e não no modelo de negócios). Chegou a ser campeão entre tantos outros jogos, quando o Mesa Para Um pra um fez um torneio, e achei merecido.
Renan Marcel (Idealizador do projeto e canal Mesa para Um):
For Northwood. Consegui a minha cópia em uma impressão coletiva, com retema. Apesar de gostar bastante da versão original, foi o que consegui. Escolhi esse título por dois motivos. O primeiro se dá por ser um jogo print and play, isto é, imprima você mesmo, o que pode ser muito interessante para alguns, considerando o baixo custo envolvido. A segunda razão da minha indicação se trata dos mecanismos envolvidos, por ser um jogo de vaza, ao estilo truco para quem não está familiarizado com os nomes, e é uma vaza solo! Na minha concepção, isso seria possível de existir e, para minha surpresa, não só existe como é excelente!
Dheyrdre (criador de conteúdo - Era Solo o que me Faltava):
Aí tu me pegou... Um jogo? ... Deixa-me ver... Umzinho? Lascou! ...
Vou indicar
Masmorra Dungeons of Arcadia, antes de ser o jogo que é foi o jogo nacional de maior arrecadação no Catarse. Acredito que foi um marco para quem estava acompanhando, imagina a CMON pegar um jogo nacional? (Sabemos que haviam muitos brasileiros na CMON, mas na época era novidade.) O jogo tem a minha temática favorita fantasia medieval, tem muitas rolagem de dados, tem minis bonitas, é de explorar masmorras, tem regras leves e o acha mega divertido. É possível jogar com 1 personagem, mas prefiro jogar com 2. Quantos mais dados rolados melhor! A joga é bem dinâmica e cativante o que torna tudo melhor e mais prazeroso.
(É JOGO BOM!: Final Girl, For Northwood, Masmorra: Dungeons of Arcadia)
E vocês, leitores, já jogaram solo? Curtem? O que indicam? Deixem nos comentários as respostas de vocês para as perguntas também!
Nos vemos em breve. Não prometemos uma periodicidade fixa, mas tentaremos sempre nos fazer presentes com assuntos variados!
Obrigado pela leitura
Abraços digitais!
Raphael Gurian
Mesa para Um: Escrita